quinta-feira, 8 de maio de 2008

A Imensa Loucura do Mithraísmo


Será que os mistérios Mithraicos influenciaram o Cristianismo?

J. P. Holding


De volta à época romana, o Mithraísmo talvez tenha sido o principal concorrente do Cristianismo pelas mentes e corações das pessoas. Hoje o Mithraísmo como religião é inexpressivo, mas ainda "rivaliza" de outra maneira: É o principal candidato dos defensores da tese da "cópia pagã" como suposta fonte para o Cristianismo.


Nossos documentos de estudo nos são apresentados pela mais importante proponente dessa tese, Acharya S, que na sua obra prima The Christ Conspiracy (118-120), expôe mais de uma dúzia de coisas que Cristo supostamente tem em comum com Mithras e, por extensão, o cristianismo alegadamente copiou para criar o personagem Jesus; alguns desses pontos ela agora defende novamente num trabalho intitulado Suns of God: Krishna, Buddha and Christ Unveiled (Deuses Solares Expostos: Krishna, Buda e Cristo), que está atualmente disponível apenas em pequenos capítulos em sua página na Internet. Os pontos são:


1. Mithra nasceu de uma virgem em 25 de dezembro numa caverna, e seu nascimento foi presenciado por pastores.

2. Ele foi considerado um grande mestre viajante.

3. Ele tinha 12 companheiros ou discípulos.

4. Mithra prometeu vida eterna para seus seguidores.

5. Realizou milagres.

6. Como o "grande touro do Sol", Mithra sacrificou-se em favor da paz mundial.

7. Ele foi enterrado em um túmulo e após três dias ressurgiu novamente.

8. Sua ressurreição era celebrada a cada ano.

9. Ele era chamado de "o Bom Pastor" e identificado tanto com o Cordeiro quanto com o Leão.

10. Ele foi considerado o "Caminho, a Verdade e a Luz", e o "Logos", "Redentor", "Salvador" e "Messias".

11. Domingo era seu dia sagrado, o "Dia do Senhor", centenas de anos antes do aparecimento de Cristo.

12. Mithra tinha sua principal festividade que mais tarde tornou-se a Páscoa.

13. Sua religião possuía uma Eucaristia ou "Ceia do Senhor", em que Mithra disse: "Aquele que não comer do meu corpo e nem beber do meu sangue, a fim de ser um comigo e eu com ele, não será salvo."

14. "Seu sacrifício anual é a páscoa dos Magos, uma expiação ou promessa simbólica de regeneração física e moral."

15. Uma frase de Shmuel Golding é citada afirmando que as palavras de 1ª Coríntios 10:4 são "idênticas àquelas encontradas nas escrituras Mithraicas, exceto que em vez de Cristo, o nome Mithra é utilizado".

16. A Enciclopédia Católica é mencionada afirmando que os cultos Mithraicos eram realizados por "padres" e que o "líder dos padres, uma espécie de papa, que sempre viveu em Roma, era chamado de" Pai Patratus' ".


Nosso objetivo neste artigo é oferecer uma visão geral das crenças Mithraicas e ao mesmo tempo analisar cada uma dessas alegações em termos de evidências. A fim de estabelecer alguns fundamentos, no entanto, será necessário explorar brevemente as ocorrências ao longo das últimas décadas no campo dos estudos Mithraicos. Existe um certo princípio que será necessário, a fim de ajudar o leitor a compreender exatamente como críticos à semelhança de Acharya S estão fazendo mau uso das próprias fontes - e aquilo com que se deve tomar cuidado em comparações futuras.


De Franz Cumont à David Ulansey: A Revolução dos Estudos Mithraicos

Em 1975, o perito em pesquisas Mithraicas John Hinnells lamentou "a dificuldade prática de qualquer estudioso que domine todos os campos essênciais" - lingüística, antropologia, história (Hindu, Iraniana, e Romana!), arqueologia, iconografia, sociologia -, em compreender os assuntos Mithraicos. Hinnells obviamente também se enquadra neste lamento; fizemos a mesma observação aqui a respeito dos estudos bíblicos. Mas sendo o Mithraísmo uma religião relativamente morta, não existem equivalentes de seminários preservando vivos os estudos Mithraicos, e nenhuma história passada dos "Pais do Mithraísmo", os quais tivessem produzido obras volumosas e meditações sobre Mithra. Assim, não é de se estranhar que por um longo tempo, a partir do final do século 19 até meados do século 20, houvesse uma única pessoa no mundo que podia ser considerada algum tipo de autoridade em Mithraísmo - e este era Franz Cumont.


Cumont trabalhava com a tese de que a crença Mithraica era como uma peça de tapeçaria contínua e praticamente imutável, de sua história primitiva até o período Romano. O primeiro registro remanescente de um deus chamado Mithra aparece na forma de uma divindade invocada em um tratado datado de 1.400 aC [Hinn.MS, ix]; dali em diante ele aparece como um dos vários deuses Indo-Iranianos, e era conhecido por dar ordens, reunir pessoas e prepará-los - talvez com alguma intenção de guerra. Ele também aparece como aquele que representa o conceito de fidelidade - um desses muitos conceitos e personificações das virtudes do antigo Oriente, como Bhaga o deus da colaboração e Aryaman o deus da hospitalidade (pense neles como protetores divinos, se preferir). Como tal, Mithra era o cara que circulava e distribuia punições para aqueles que rompiam os tratos. Ele era o "guardião da verdade", "o mais precioso para os homens", aquele “cujos longos braços agarravam o mentiroso", que "não feria ninguém e é amigo de todos", aquele que estava vendo e sabendo de tudo - O sol era seu "olho" sobre o mundo. Mithra também era o responsável por trazer a chuva, a vegetação e a saúde – pois na mente dos habitantes do antigo Oriente, é o comportamento moral das pessoas (especialmente do rei), que determina o bem-estar nacional e proporciona um clima fértil. Se o rei rompesse um trato, você seria aconselhado a desaparecer caso fosse um lavrador, pois Mithra em breve planaria em sua carruagem com um molde no formato de um javali na parte da frente (acompanhado por um auxiliar divino simbolizando a Vitória) para chutar alguns traseiros e colocar as coisas em ordem [MS.27-51]. Em outras ocasiões Mithra era comparado à uma divindade chamada Varuna, que era superior a ele. Varuna era o deus encarregado de ajudar os homens a cultivarem arroz (embora o "amadurecimento do arroz em solo não preparado" ainda fosse responsabilidade de Mithra), de modo que os dois deuses juntos supervisionavam os aspectos agrícolas da vida dos homens.


O antigo Mithra era um sujeito admirado. Senhor dos Contratos, Sustentáculo da Verdade. Pacificador, benevolente, protetor, provedor de um local agradável para se viver e criar gado, os quais não se irritam facilmente. Um pouco mais tarde na história Ariana, ele tornou-se um guerreiro (anteriormente, ele havia deixado grande parte da responsabilidade de chutar traseiros para Varuna), mas depois voltou ao pacifismo. Porém, logo após surgiu o Zoroastrismo e Mithra tinha algumas coisas novas para fazer. Ele atuou como mediador entre Ohrmazd e Ahriman, os deuses bons e maus na dualidade do Zoroastrismo; mas ao mesmo tempo, ele sofreu uma espécie de rebaixamento, pois tornou-se membro de um grupo de sete inferiores yazatas que serviam os deuses dos níveis superiores [Cum . MM, 5], tendo-lhe sido atribuídas algumas funções especiais de escolta: levar demônios para o inferno, e almas ao Paraíso.


Durante algum tempo depois, as coisas pareciam correr tranquilamente para Mithra. Já no primeiro século aC, Mithra ainda é associado ao sol, juntamente com Apolo e Hermes. [MS.129] O por quê de toda essa história? O problema é que Cumont estava totalmente errado acerca do Mitraísmo primitivo (iremos chamá-lo mais apropriadamente de Iraniano) em continuidade com o Mithraísmo Romano. Para que você tenha uma idéia, o Mithra Romano era mais conhecido por seu ato de sacrificar um touro; entretanto não há indicação de que o Mithra Iraniano alguma vez tenha entrado num curral por qualquer motivo. [MS, xiii] O Mithra Romano não parecia tão interessado em obrigar ou escoltar demônios para o inferno. (Muito provavelmente, porque demônios são terrívelmente imundos.) E para tornar a questão mais complexa seus seguidores no Irã, ao contrário dos Romanos, não prestavam cultos em cavernas como se fossem aposentos (embora Porphyry pensasse, errôneamente, que Zoroastro, o "suposto fundador do movimento", inventou a idéia de uma caverna como sendo a imagem do cosmos - Beck.PO, 8), concebendo níveis de iniciação, ou adotando o sigilo. [Ulan.OMM, 8] Simplesmente não havia qualquer ligação sólida entre as duas crenças a não ser pelo nome da principal divindade, alguma terminologia e o conhecimento astronômico do tipo que, em todo caso, foi amplamente importado da Babilônia para o Império Romano [Beck.PO , 87].


No entanto, pelo fato de que Cumont estava preso à noção de continuidade, ele presumiu (por exemplo) que o Mithra Iraniano deve ter realizado algum sacrifício de touro na mesma linha do Mithra Romano, Cumont então moldou as provas para se ajustarem à sua tese, esforçando-se para encontrar em algum lugar um mito Iraniano que envolvesse um sacrifício de touro (que não foi realizado por Mithra, mas por Ahriman) e, acreditou que havia alguma ligação ou hstória desconhecida na qual o Mithra Iraniano matou um touro. Vermaseren, um aluno de Cumont [Ver.MSG, 17-18] também tentou encontrar uma ligação, mas o mais perto que ele conseguiu chegar foi de uma história na qual SOMA, o deus da vida (que, à semelhança da chuva, era descrito como o sêmen do sagrado Touro fertilizando a terra), foi assassinado por uma irmandade de deuses que incluía Mithra – no papel de um participante muito relutante que tinha de ser convencido a concordar com o plano. Para simplificar, o Mithra Romano não era nada semelhante ao seu equivalente Iraniano. Ele na verdade se vestia de forma elegante, com um barrete Frígio (típico capacete para os orientais da época) e um manto tão macio que teria feito o Super-homem ficar verde de inveja. Ele sacrificou um touro cósmico e ganhou o respeito e adoração do deus sol. Conquistou novos amigos, animais que lhe deram a mão (ou pata, ou garra) no sacrifício do touro, bem como dois gêmeos portadores de tochas que poderiam se passar por seus filhos. Se este era o Mithra Iraniano, ele obviamente atravessou uma crise em algum ponto na metade da vida. A única coisa que permaneceu a mesma foi que Mithra manteve uma certa associação com o sol, algo que muitos deuses também tinham.


Até a época do Primeiro Congresso Internacional de Estudos Mithraicos no início dos anos 70, a inexistência de evidências de uma continuidade Romana / Iraniana levou os estudiosos a suspeitarem que o Mithraísmo Romano foi "uma nova criação, usando antigos nomes Iranianos e detalhes para um disfarce exótico a fim de dar uma aparência esotérica aceitável para uma religião de mistério" [MS, xiii] - e que o Mithraísmo Romano era Mithraísmo apenas no nome, meramente um novo sistema que utilizou o nome de uma antiga divindade Oriental conhecida com o intuito de atrair Romanos refinados os quais consideravam o oriente e todas as suas belezas um mistério atraente. Pense nele como uma nova embalagem de uma religião antiga para satisfazer novos gostos, tudo o que se preserva somente é o nome da divindade! E o que era essa nova religião? Durante anos os estudiosos de Mithra ficaram intrigados com o significado da cena do touro sacrificado, o problema, como pudemos observar, era que os antigos seguidores de Mithra deixaram para trás pinturas sem legendas. Assim, nos anos 70, um estudioso do Mithraísmo lamentou [MS.437]:


"No momento, nosso conhecimento da prática de culto tanto geral como local em matéria de rituais de passagem, proezas cerimoniais e até mesmo dos fundamentos da ideologia estão baseados mais em conjecturas do que em fatos."


E o próprio Cumont observou, nos anos 50 [Cum.MM, 150, 152]:


Os livros sagrados que contêm as orações recitadas ou cantadas durante o período [Mithraico] ainda sobrevivem, o ritual dos iniciados e as cerimônias das festas, desapareceram e deixaram um rastro escasso para trás... [nós] conhecemos as disciplinas esotéricas dos Mistérios somente através de algumas imprudências.


Mas desde muito antes, estudiosos Mithraicos notaram algo (ou na verdade, ressucitaram algo primeiramente teorizado em 1869 que Cumont, por causa de seu preconceito rejeitou - Ulan.OMM, 15) sobre a cena de sacrifício do touro: Os vários animais, humanos e outras figuras constituiam um mapa estelar! O touro correspondia à constelação de Touro; o escorpião coincidia com a constelação de mesmo nome, o cachorro correspondia à constelação Canis Maior, e assim por diante. Levou um pouco mais de tempo para decidir à que constelação Mithra correspondia; Spiedel foi o primeiro a defender a tese de uma correspondência com Órion [Spie.MO], porém Ulansey foi o pioneiro com a tese de que Mithra está aqui para ser identificado com Perseus [Ulan.OMM , 26ff], e que o Mithraísmo Romano foi fundado em cima de uma descoberta "revolucionária" na astronomia antiga (intimamente ligada à astrologia naquele tempo), de que "toda a estrutura cósmica estava se movendo de uma forma que ninguém sequer havia conhecido antes" - Um processo que hoje chamamos de precessão dos equinócios. Em concordância com a crença Estóica de que um ser divino era a "fonte de todas as forças naturais", a personificação das forças naturais sob a forma de figuras divinas míticas, e a origem do culto em Tarsus, uma cidade a muito tempo sob o domínio persa onde Perseus era a divindade principal, Perseus era a escolha perfeita - mas esse não era o tipo de coisa que os seguidores queriam que todos soubessem, por isso, Ulansey teoriza, eles escolheram o nome Mithra (um deus persa), em parte para ocultar a identidade de Perseus (que era frequentemente associado à Pérsia), em parte também por causa de uma aliança entre os piratas Ciclian, os quais apresentaram primeiro o Mithraísmo e um líder na Ásia Menor chamado Mithridates aos Romanos ("emprestado de Mithra"). [Ulan.OMM, 89] História muito confusa essa.


Qual tem sido o objetivo dessa divergência? O objetivo é dar ao leitor um aviso, para tomar cuidado a qualquer hora que um crítico fizer alguma alegação de que o Mithraísmo de algum modo tem paralelos com o Cristianismo. Verifique as fontes deles com atenção. Se como Acharya S, citarem fontes originais da época de Cumont ou anteriores à ele, então as chances são muito grandes de que estejam usando material que, ou está muito desatualizado, ou então não está fundamentado em trabalhos acadêmicos sérios (isto é, antes de Cumont; de preferência obras de King, Lajard, e Robertson). Além disso, no caso deles afirmarem qualquer coisa definitiva sobre a crença Mithraica, provavelmente estão errados sobre o assunto e, certamente estão se apoiando nas conjecturas de alguém que, ou não é um especialista em Mithraísmo (como é o caso de Freke e Gandy no livro The Jesus Mysteries) ou no mínimo está muito desatualizado.


Como você pode ver, os eruditos Mithraicos, não defendem a tese de que o Cristianismo plagiou qualquer filosofia do Mithraísmo, e eles não enxergam nenhuma evidência de apropriação, com uma grande exceção: "O único campo em que podemos determinar especificamente a extensão na qual o cristianismo copiou o Mithraísmo são as artes." [MS.508n] Note bem, não estamos falando aqui do Cristianismo apostólico, mas do cristianismo no terceiro e quarto séculos, que num esforço para provar que sua fé era superior, embarcou em uma campanha de publicidade que lembra as antigas guerras entre as diferentes marcas de refrigerantes.

Mithra era retratado matando o touro enquanto cavalgava o animal, a Igreja fez uma cópia exata numa cena com Sansão matando um leão. Mithra lançou flechas em uma rocha para fazer brotar água, a Igreja alterou essa imagem para um Moisés tirando água da rocha no monte Horebe. (Humm, será que os judeus copiaram essa?) Pense no quão popular é o desenho Pokemon em nossos dias e agora, imagine a Igreja roubando essa idéia e fazendo uma cópia chamada Digimon - embora não se possa realmente afirmar que houve plágio neste caso, pois isso aconteceu numa época em que geralmente as artes eram copiadas - de certa forma foi um caso de demonstração de superioridade concebida como uma competição e, a igreja não foi a única a fazer isso. Além do mais, não envolvia uma troca ou roubo de ideologia.


Assim como em quaisquer outros paralelos, no final dos anos 60, antes da chegada da geração da tese astrológica, foram apresentados apelos à "possibilidade de influência Mithraica ", aparecendo "em muitos casos" - e então novamente, afirmou-se que a idéia de que o Mithraísmo emprestou conceitos ao Cristianismo "não foi levada suficientemente a sério para ser considerada." [Lae.MO, 86] Porém, em todo caso, o mais provável era que os dois sistemas "poderiam ter se dirigido à uma condição Romana, uma necessidade social, e uma questão teológica sem ter conhecimento da existência uma da outra. Como em tantos outros casos de filosofia e literatura, pensamentos similares e padrões sociais podem aparecer independentemente uns dos outros como elementos "novos", com a genuína consciência de tal novidade. "[Ibid.] Mas tais semelhanças não têm sido tantas como as sugeridas na esteira da tese astrológica. Hoje (e até mesmo por Cumont), os paralelismos estabelecido entre as duas crenças (por estudiosos profissionais Mithraicos), são quase que totalmente características "universais" religiosas (isto é, ambas possuiam um código moral, mas que religião não possuia uma!?) ou sociológicas: As duas se espalharam rapidamente devido à "unidade política e anarquia moral do Império". [Cum.MM, 188-9] Ambas atrairam um grande número de pessoas das classes mais baixas. (E naturalmente, inúmeras diferenças também são mencionadas: o Cristianismo foi favorecido em áreas urbanas habitadas pelos judeus vindos da diáspora, enquanto que o Mithraísmo estava indiferente ao Judaísmo e era popular nas áreas rurais; o Mithraísmo recorria aos escravos, soldados e funcionários do império ao contrário do apelo mais amplo do Cristianismo; etc)

Você pode questionar se os defensores da tese da cópia pagã têm conhecimento de quaisquer um destes trabalhos mais recentes sobre o Mithraísmo por parte dos eruditos Mithraicos e, em caso afirmativo,o que eles fazem com essas informações. A resposta é sim, eles estão ficando cientes, embora o que eles fazem com isso nada mais seja do que uma conspiração. No seu mais recente esforço Acharya cita a teoria do mapa estelar, bem como a falta de evidências de que Mithra no seu período Iraniano sequer tenha sacrificado um touro:


Na maior parte o argumento é pouco convincente e parece ter sido motivado por um contra-ataque Cristão na tentativa de derrubar a argumentação bem fundamentada de que o Cristianismo copiou o Mithraísmo em muitos detalhes pertinentes.


No momento em que estudiosos como Ulansey são acusados implicitamente, nesse caso, de serem "motivados por um contra-ataque Cristão" (ou, como outros, de serem cristãos disfarçados!), os defensores da tese da cópia pagã estão nitidamente demonstrando uma atitude de desespero. Poderiamos até pensar, a partir desta declaração presunçosa, que Acharya viajou ao Irã e encontrou dezenas de pinturas, datadas de 500 aC, onde Mithra está sacrificando um touro e, pegadas na areia das proximidades combinando com as dos Apóstolos. É claro que ela não encontrou nada disso. Ao invés, somos informados que, "Na realidade, o tema e o ritual do sacrifício de um touro existiam em inúmeras culturas antes da era Cristã, independentemente se está ou não descrita na literatura ou na iconografia Persa". Ninguém duvida da existência do tema do sacrifício do touro, a questão é saber se ele aparece como algo que Mithra fez na época pré-romana e, os outros exemplos são completamente insignificantes neste contexto. Ulansey mostra que os atos de Mithra estavam relacionados com a descoberta da precessão dos equinócios; Acharya oferece a resposta de que:


“Na verdade, o tema do touro é um reflexo da Era de Touro, por volta de 4.500 à 2.300 aC, um dos 2.150 anos das eras criadas pela precessão dos equinócios. A presunção por parte dos estudiosos é que a precessão dos equinócios só foi "descoberta" durante o segundo século antes da era Cristã pelo cientista grego Hiparco; no entanto, é bastante evidente que a precessão era conhecida pela elite dominante e grupos sacerdotais, por milênios antes de sua suposta "descoberta". O fato dos povos primitivos terem seguido as eras precessionais está revelada abundantemente nos registros arqueológicos.”


Em primeiro lugar, ao declarar isto, Acharya coloca-se não só contra Ulansey, mas como o próprio Ulansey afirma, contra historiadores científicos, os quais concordam que Hiparco foi o descobridor da precessão [Ulan.OMM, 76] - assim como contra as evidências de Aristóteles e outros que demonstram que tal fenômeno não havia sido observado antes de Hiparco [ibid., 79]. Ela, por outro lado, teoriza uma "elite dominante" e "sacerdotes" desconhecidos e sem nome, os quais supostamente tinham conhecimento acerca da precessão; até mesmo quando se trata de detalhes, tudo que ela tem a oferecer é um exemplo: "A mudança entre as eras de Touro e Áries está registrada inclusive na Bíblia, em Êxodo 12, quando Moisés estabelece o sacrifício do cordeiro ou carneiro, em substituição ao touro". O problema aqui em considerar tal declaração sem uma análise mais profunda, é que mesmo sendo verdade, isto estaria na ordem errada, se Ulansey estiver correto: se o Êxodo está simbolizando a precessão, deveria estar determinando o sacrifício do touro, ao invés do carneiro, e não vice-versa. De acordo com os registros de Ulansey, o touro foi morto em 300 aC. Não que isso seja importante, já que Êxodo 12, durante a implementação da Páscoa Judaica, nada diz sobre touros, como "ao invés de" ou por qualquer outro motivo e, um cordeiro ainda assim não é um carneiro por mais que venhamos a forçar a imaginação. Achraya está desperdiçando seu tempo aqui. O fato de "Dupuis ter insistido nessa identificação, como fez Volney," é uma boa intuição segundo a opinião deles, mas não significa nada. As ousadas conjecturas de Bunsen também não possuem fundamento, a saber: "Assim como Ormuzd, Mithras é representado montado em um touro, e Jeová é descrito cavalgando o Querubim, Kirub ou touro". Em nenhum lugar Mithras é retratado cavalgando um touro; ele está montado sobre as costas do touro, matando-o; por outro lado, onde e quando, diz-se que Jeová está cavalgando um querubim e como, linguisticamente, isso está relacionado ao "Touro"? Mitos solares em que outros deuses sem qualquer relação com Mithra (Apis, etc) são chamados ou descritos como touros e, os sacrifícios de touros em vários locais, não são relevantes para a questão; simplesmente afirmar que eles são "essencialmente o mesmo tema assim como Mithra sacrificando o touro ", e fazer citações de outras opiniões similares não adianta - especialmente porque não existem evidências iconográficas ou literárias para provar este argumento. Parece que o verdadeiro "touro" aqui é esta tentativa tosca (nenhuma outra palavra ficaria melhor) de lançar ao mesmo tempo afirmações sem fundamento e gritar "Shazam!" Para não deixar as pessoas notarem que nada foi efetivamente provado.


A questão fundamental: Não leve em consideração sem uma análise mais criteriosa, o que pessoas como Acharya, Freke, Gandy, Wynne-Tyson, etc dizem sobre o Mithraísmo. Se tão poucos estudiosos Mithraicos têm dominado todas as ferramentas necessárias e, eles discordam nestes pontos dos defensores da teoria de cópias dos mitos pagãos, por que razão afinal dar crédito à estes defensores?


Fomentando paralelos?

Agora estamos prontos a iniciar a parte prática de nosso artigo no qual consideramos uma após outra, cada uma das declarações feitas por Acharya S dos alegados "paralelismos" entre o Mithraísmo e o Cristianismo.


1. Mithra nasceu de uma virgem em 25 de dezembro numa caverna, e seu nascimento foi presenciado por pastores.


Esta alegação, a qual tenho visto sendo repetida na internet em parte pelo autor Secular James Still, é uma mistura de verdade e confusão. Vamos começar com o 25 de Dezembro observando a resposta de Glenn Miller, que é mais do que suficiente:"... a questão do 25 de Dezembro é de nenhuma relevância para nós - em lugar algum o Novo Testamento associa esta data com o nascimento de Jesus." Isso é algo que a igreja criou posteriormente, de onde quer que eles tenham pegado a idéia - não a Igreja apostólica, e se mesmo assim houvesse qualquer plágio, então todas as outras religiões também o fizeram, pois 25 de Dezembro era "universalmente conhecido pelas festividades sagradas" [Cum.MM , 196] sendo que (na época) era o solstício de inverno.


Em seguida, a parte da caverna. Antes de mais nada, Mithra não nasceu de uma virgem em uma caverna; ele nasceu a partir de uma rocha sólida, presumivelmente tendo deixado a caverna para trás - e suponho que tecnicamente a rocha que ele nasceu poderia ter sido classificada como uma virgem! Aqui está como um erudito Mithraico descreve a cena nas pinturas Mithraicas: Mithra "vestindo seu barrete frígio, desprende-se do maciço rochoso. Por enquanto só o seu tronco nu está visível. Em cada mão ele levanta bem alto uma tocha acesa e, como um detalhe incomum, chamas vermelhas iluminavam tudo ao redor dele a partir da petra genetrix." [MS.173] Mithra já nasceu adulto, mas você não ouvirá os defensores das cópias pagãs mencionarem isto! (A própria cena do nascimento na rocha foi uma provável influência de Perseus, que experimentou um nascimento semelhante ao nascer numa caverna subterrânea; Ulan.OMM, 36.)


Isso leva aos pastores, e esta é uma afirmação inteiramente verdadeira; embora eles tenham feito mais do que "presenciar" (ao contrário dos pastores no Evangelho de Lucas, que foram testemunhas do nascimento; não houve um mediador angelical), também ajudaram Mithra a sair da rocha , e ofereceram-lhe os primeiros frutos dos seus rebanhos – em todo caso uma proeza e tanto para esses caras, já que o nascimento de Mithra teve lugar numa época em que (opa!) os homens supostamente ainda não haviam sido criados na terra. [Cum.MM, 132] Mas o argumento decisivo aqui é que esta cena, como quase todas as evidências do Mithraísmo Romano, datam de pelo menos um século após a época do Novo Testamento. Um período recente para dizer que qualquer "plágio" foi feito pela igreja Cristã – e se houvesse algum, teria sido exatamente o contrário, mas provavelmente isso não aconteceu. (É justo também observar que o Mithra Iraniano não teve uma história similar ao "nascimento a partir de uma rocha"... sua concepção foi atribuída, de maneira diferente, à uma relação incestuosa entre Ahura Mazda e sua mãe, ou aos excrementos a céu aberto de uma simples mulher mortal... porém não existe a história de uma concepção ou nascimento virginal. [Cum.MM, 16] Acharya afirma que o Mitra Hindu, “era nascido de uma mulher, Aditi, a ‘mãe dos deuses’, a inviolável ou virgem do amanhecer”; este é apenas mais um caso de má utilização da terminologia por parte dela [um "amanhecer" igual à "virgem" - então, quando é que o amanhecer começa a “ter relações sexuais” e como?]. Sendo assim, de modo similar a esse jogo de palavras: “poderia ser sugerido que Mithra nasceu da ‘Matéria Prima’, ou ‘Matéria Primordial’, que também poderia ser considerada como a ‘Primeira Mãe’, ‘Matéria Virgem’, ‘Mãe Virgem’, etc..” – nenhum desses títulos poderia ser "levado em conta" a não ser por uma imaginação fértil; apenas brincar com a semelhança psico-linguística dos sons na língua inglesa das palavras "matter" (matéria) e "mother" (mãe) e tentar equiparar "first" (primeiro), com "virgin" (virgem) não vai resolver a questão.


O assistente de pesquisas Punkish acrescenta: ADITI (de acordo com um site astrológico) significa Livre e ilimitado. Um céu sem limites em comparação com a terra finita. Uma deusa Védica simbolizando a criadora primordial de tudo que foi criado. O eterno espaço do todo ilimitado, a Insondável profundidade significando o véu sobre o desconhecido. (Atenção, não uma mãe ou matéria, mas a criadora da matéria!) O Rig Veda a descreve como o pai e a mãe de todos os deuses; ela é chamada de Devamatri, a mãe de todos os deuses, ou Swabhavat, a que existe por si só. Ela é freqüentemente implorada a abençoar as crianças e o gado, para proteção e perdão. No Yajur Veda, Aditi é denominada como o apoio do céu, a sustentadora da terra, a soberana deste mundo, e a esposa De Vishnu. O Vishnu Purana descreve Aditi, a filha de Daksha e a esposa de Kashyapa, como a mãe de 8 Adityas (q.v.) (esposa de Vishnu ou de Kashyapa? então é pouco provável que seja virgem!) Em seguida temos este site www.dialogueonline.net - uma publicação (de estudos comparativos sobre as grandes religiões), onde encontramos: "De acordo com o Rigveda (10/72/2) Brahmanaspati, na qualidade de artesão, criou os deuses, e os deuses, por sua vez criaram "Sat ", a partir de "Asat". O Rigveda (10/72/4-5) ainda diz, "Daksha nasceu de Aditi e Aditi nasceu de Daksha, os deuses nasceram de Aditi e Aditi deu origem a oito filhos". Este mantra sugere principalmente duas coisas - primeiro, Aditi e Daksha tiveram nascimento uns dos outros, o que é uma hipótese impossível, em segundo lugar, o criador deste universo foi Aditi porque ele deu à luz aos deuses. Mas isso é ridicularizado mais ousadamente quando ao refutar tais pontos, o Rigveda (8 / 90 / 15) afirma: "Aditi era filha de Adityas". Neste contexto, Rigveda produz mais de uma controvérsia pois acrescenta que Aditi foi mãe de Vishnu, então Rigveda (4/55/3 8/27/5) esclarece, "Aditi deu à luz Vishnu". Porém, repudiando o mesmo versículo Vajasaney Samhita (20/60) e Taitirya Samhita (7/5/14) confirmam que Aditi era esposa de Vishnu. A deusa, que encontrasse no meio de várias controvérsias é considerada a criadora deste universo. Assim, estes mantras falham em lançar qualquer luz significativa sobre a questão básica do nascimento, da maternidade e até da criação do universo por Aditi", (Criador e Criação na Perspectiva Hindu).


Acharya acrescenta agora na sua obra iconográfica evidências que supostamente mostram "o menino Mithra sentado no colo de sua mãe virgem, com o Mago portador dos presentes prostrado na frente deles. "A pessoa é obrigada a se perguntar como uma imagem pode representar a mãe de Mithra sendo uma virgem, uma vez que isso não está obviamente comprovado. Alguém também irá desejar saber se qualquer uma dessas evidências é anterior à Era Cristã (mas não é). Citar outros autores os quais simplesmente dizem que isso está indicando um nascimento virginal, ainda assim não oferece nenhuma prova, não sendo um argumento válido. Finalmente, somos informados sobre o "maior templo de Mithra no Oriente Médio [o qual] foi construído na parte ocidental da Pérsia em Kangavar, dedicado à "Anahita, a Virgem Imaculada Mãe do Senhor Mithras' ". Esta é uma reivindicação muito curiosa repetida na Internet, mas não é fornecida nenhuma fonte para tal, Acharya atribui a frase à um "escritor" sem nome ou referências. Apesar disso, acredito que tenha encontrado a fonte conclusiva, um documento escrito em 1993 pelo então estudante do ensino médio, David Fingrut, que fez esta afirmação sem qualquer documentação a não ser a dele próprio. Seu trabalho está agora publicado na Internet como um arquivo de texto. Ainda assim, em todo caso é algo impreciso, uma vez que a estrutura em Kanagvar de maneira alguma é um templo à Mithra, e sim um templo para Anahita (datado de 200 aC), e apesar de eu ter encontrado uma fonte de valor não comprovado que afirma que Anahita era descrita como uma virgem (embora tenha sido uma deusa da fertilidade!), ela não é considerada a mãe de Mithra, mas sim sua esposa (embora também sejam apresentadas outras informações contraditórias) - e essa fonte nada sabe sobre a tal inscrição conforme descrito; além do que a mera existência da deusa Anahita antes da era romana não prova nada. Acharya parece estar lançando falsificações novamente.


2. Ele foi considerado um grande mestre viajante.


Fora o fato de que isto é o que seria de se esperar de qualquer figura importante em posição de liderança, especialmente num contexto religioso ("Mithra foi uma divindade importante – não nos ensinou coisa alguma!"), Devo dizer que esta parece ser a primeira de várias "fraudes" definitivas no conjunto. Não tenho encontrado em lugar algum qualquer indicação de que Mithra foi um mestre, viajante ou não. (Ele provavelmente poderia ser chamado de "mestre", mas qual a figura de liderança que não era chamada assim? e um mestre em que sentido? Este paralelo é um tanto vago para ser apresentado!) De qualquer forma, já que não existem provas para isso em qualquer literatura Mithraica, lançamos nosso primeiro desafio aos defensores da teoria da cópia pagã, especialmente Acharya S: De que maneira é demonstrado que Mithra foi um "grande mestre viajante"? O que ele ensinou, onde, e para quem? Como ele se tornou um "mestre" e, por que esta é uma semelhança com Jesus?


3. Ele tinha 12 companheiros ou discípulos.


Já vi este argumento repetido várias vezes, quase sempre (ver abaixo), sem qualquer documentação. (Um dos nossos leitores escreveu para Acharya pedindo provas específicas dessa afirmação... ela não respondeu, embora tivesse respondido prontamente uma mensagem anterior.) O Mithras Iraniano, como vimos, teve uma única companheira (Varuna), e o Mithra Romano tinha duas auxiliares / companheiras, pequenas portadoras de tochas as quais eram representações de si próprio, chamadas Cautes e Cautopatres, provavelmente destinadas a simbolizar o nascer e o pôr-do-sol (enquanto a "Principal Divindade" Mithra, supostamente simbolizava o meio-dia), a primavera e o outono, as estrelas Albedaran e Antares [Beck.PO, 26] ou a vida e a morte. (Freke e Gandy absurdamente tentam associar estas gêmeas aos dois ladrões crucificados com Jesus! - Frek.JM, 51 - pois um foi para o céu com Jesus [tocha pra cima] e o outro foi para o inferno [tocha para baixo]! Por que então não ligá-las com os personagens de Laurel e Hardy (o gordo e o magro), pois um estava sempre se desculpando [tocha para baixo] e o outro era um cara bravo [tocha para cima]!). Mithra também tinha alguns animais companheiros: a serpente, um cão, um leão, um escorpião - mas não 12 Deles.


Ora, aqui está uma ironia. Minha primeira suspeita acerca de onde eles obtiveram isso veio de uma foto com a cena do touro sendo morto esculpida numa rocha, encontrada no livro de Ulansey, que retrata a cena enquadrada por 2 linhas verticais com 6 imagens do que parecem ser figuras humanas ou rostos em cada lado. Me ocorreu por um instante que alguns não Mithraístas talvez viram esta foto e disseram: "A-ha! essas 12 pessoas devem ser companheiros ou discípulos! assim como na história de Jesus!" Dias depois, recebi o livro de Freke e Gandy, e como já era de se esperar – essa é a forma como eles fazem a mesma ligação. Certamente, eles vão mais longe ao dizer que, durante a cerimônia de iniciação Mirthaica, os discípulos de Mithra vestiam-se como os signos do Zodíaco e formavam um círculo em volta do do iniciado. [Frek.JM, 42] Onde eles (ou melhor, suas fontes) obtiveram esta informação sobre os métodos de iniciação Mithraica, é algo que só podemos especular: Nenhum estudioso Mithraico parece ter conhecimento disso, e a fonte deles, Godwin, é um especialista em "ensino esotérico Ocidental"- ele não foi estudioso do Mithraísmo, isso mostra que, embora tendo escrito em 1981, bem depois do primeiro congresso Mithraico, Godwin ainda estava seguindo a mesma linha de raciocínio de Cumont, de que o Mithraísmo Iraniano e Romano eram os mesmos e assim acabou oferecendo interpretações sobre a cena de sacrifício do touro as quais não têm qualquer semelhança com o que os estudiosos Mithraicos hoje observam nela. (Para ser justo, entretanto, Freke e Gandy não fornecem o número da página onde supostamente Godwin diz isso - e seu material sobre Mithraísmo nada diz sobre qualquer cerimônia de iniciação.) Todavia, com exceção do fato de que esta escultura é (mais uma vez!) significativamente posterior ao período cristão (de modo que qualquer plágio teria de ter acontecido de outra forma), estas figuras foram identificadas pelos estudiosos Mithraicos modernos como representando símbolos do zodíaco. Na verdade, as duas primeiras faces são presumidamente o sol e a lua!

Acharya em sua última obra reconhece que os doze companheiros de Mithra são os signos do zodíaco, mas parte para a defesa dizendo, "a cena dos 12 discípulos e seguidores em uma 'última ceia' é recorrente no universo Pagão, inclusive dentro do Mithraísmo" - comparando a ceia Mithraica à Última Ceia (veja abaixo). Ela também acrescenta: "O Rei Espartano Kleomenes também realizou uma similar última ceia com doze seguidores quatrocentos anos antes de Jesus. Esta última afirmação é feita por Plutarco em Vidas Paralelas, ‘Agis e Kleomenes’ 37:2-3.” Isto é apenas parcialmente verdade - fui alertado sobre esta passagem por um leitor prestativo:

“Pois [Cleomenes] havendo sacrificado, deu-lhes grandes porções e, com uma grinalda sobre sua cabeça, banqueteou-se e festejou com seus amigos. É dito que ele iniciou a batalha mais cedo do que havia planejado, tendo percebido que um criado, o qual estava envolvido num complô secreto, tinha ido visitar uma amante. Isto o fez temer uma descoberta, portanto, tão logo se aproximou o meio-dia e com todos os guardas dormindo bêbados do vinho, ele colocou sua capa, abriu a costura para expor seu ombro direito e, com sua espada desembainhada na mão, juntamente com seus amigos equipados da mesma maneira, atirou-se contra matando treze inimigos ao todo”.


Realmente é uma "última ceia", mas não está revestida de nenhum significado em si (menos ainda de um significado expiatório! - E esses homens obviamente em algum momento tinham de ter mesmo uma "última ceia"!), E os doze companheiros nesse caso não desempenham nenhum papel especial além desta passagem no texto.


Nós mesmos teríamos registrado isso por escrito como se fosse uma coincidência natural (da mesma forma como também existem pessoas com cinco, 10 ou outros números de companheiros.)


4. Mithras prometeu vida eterna para seus seguidores.


Neste ponto, Acharya não está fazendo nada mais do que uma suposição, se bem que provavelmente essa é uma das boas: Como um estudioso Mithraico declarou, o Mithraísmo “certamente ofereceu à seus iniciados o livramento de algum terrível destino para o qual todos os outros homens estavam condenados, e uma travessia privilegiada para algum estado eterno de felicidade." [MS.470] Por que essa é uma boa suposição? Não que o Mithraísmo tenha copiado o Cristianismo, ou o Cristianismo tenha plagiado o Mithraísmo, ou que qualquer pessoa tenha roubado quem quer que seja, mas porque se você não prometer a seus adeptos algo que garanta a eternidade deles, certamente você também pode desistir de administrar uma religião e ir vender barracas de camping no Alaska! Em termos práticos, no entanto, a única evidência concreta de uma ideologia "salvífica" é um pedaço de inscrição encontrada no Templo Mithraico Santa Prisca (um templo da "igreja" Mithraista, se preferir), datada de não menos que 200 dC, onde se lê, "E nós também, tu salvaste ao derramar o eterno sangue". [Spie.MO, 45; Gor.IV, 114n; Verm.MSG, 172] Note que isto se refere à Mithra derramando o sangue do touro - e não o seu próprio - e que (de acordo com a moderna interpretação “astrológica” Mithraica), isso não significa "salvação" num sentido cristão da palavra (envolvendo libertação do pecado), mas uma subida através de um dos níveis de iniciação rumo à imortalidade.


5. Realizou milagres.


Mithra realizou uma série de ações bastante típicas de quaisquer divindades conhecidas no mundo todo, verdadeiras ou falsas, e em ambas as suas encarnações Iraniana e Romana. Mas essa é mais uma daquelas coisas em que dizemos, "E daí?" Concordamos com Miller:


É preciso lembrar que ALGUMAS semelhanças gerais DEVEM ser aplicadas à qualquer líder religioso. Via de regra eles têm de ser bons líderes, realizar atos de bondade notáveis e / ou poderes sobrenaturais, estabelecer ensinamentos e tradições, criar cerimônias comunitárias e, derrotar algumas formas de maldade. Estes são elementos comuns da vida religiosa - NÃO objetos que exigem alguma teoria de dependência ... O aspecto comum do homo religiosus é uma explicação mais plausível e adequada do que dependência.


Naturalmente, nossos teóricos da cópia pagã podem se sentir a vontade para tentarem apresentar paralelos mais exatos, mas por enquanto não tenho visto exemplos citados em que Mithra transformou água em vinho ou acalmou uma tempestade.


6. Como o "grande touro do Sol", Mithras sacrificou-se em favor da paz mundial.


Esta descrição é ligeiramente forçada a fim de soar bastante parecida com um dogma Cristão, mas por trás da indefinição existe uma história diferente. Mithra não "sacrificou-se", no sentido de que ele morreu, ele não era o "grande touro do Sol", pelo contrário, ele matou o touro (as tentativas para identificar de alguma forma Mithra com o próprio touro que ele matou, embora fossem populares entre estudiosos não Mithraístas desatualizados como Loisy e Bunsen, foram rejeitadas por Vermaseren, o qual declarou que "nem os templos e nem as inscrições fornecem quaisquer provas concretas que apoiem este ponto de vista e, somente as descobertas futuras podem determinar isto") [Verm.MSG, 103]; o sacrifício não foi em prol da "paz mundial" (exceto, talvez, no sentido de que Cumont interpretou o sacrifício do touro como um mito da criação [Cum.MM, 193], o que demonstra que ele estava totalmente errado). Somente poderia ser dito que Mithra "sacrificou a si mesmo", no sentido de que ele saiu e assumiu um risco a fim de praticar um ato heróico, o resto não encontra sequer justificativa nos estudos da moderna literatura Mithraica - muito menos isto implica em um paralelo com Cristo, que a si mesmo entregou em sacrificou para expiação dos pecados individuais (e não da "paz mundial").


Punkish, acrescentou o seguinte: ... [Uma] nota de rodapé [em The Crist Conspiracy] mostra o nome O'Hara, que na bibliografia é Gwydion O'Hara, Mito Solar. Agora, se você fizer uma busca por esse sujeito no site www.amazon.com irá descobrir que as críticas ao seu livro não são muito positivas, na verdade ele é o tipo de pessoa, assim como Barbara Walker, que exageram as coisas. Que tipo de autoridade é ele? Nenhuma: ele é um autor de práticas pagãs e em tempos passados foi um alto sacerdote da Igreja Wicca do Canadá, numa época em que era mais um ideal do que uma realidade (!)... parece mais como um outro maluco. O que Acharya está fazendo usando este indivíduo em vez de um erudito Mithraico?


7. Ele foi enterrado em um túmulo e após três dias ressurgiu.

8. Sua ressurreição era celebrada a cada ano.


Tenho de classificar estas duas afirmações como "fraudes" - não vejo referências em qualquer lugar da literatura de estudos Mithraicos na qual Mithra está sendo enterrado, ou até mesmo morrendo, a propósito [Gordon afirma categoricamente, que não existe "nenhuma morte de Mithras" - Gor.III, 96] e é claro, novamente nenhuma "ressurreição" e/ou ascenção existe (num sentido judaico?!) para se comemorar. Freke e Gandy [Frek.JM, 56] afirmam que os iniciados Mithraicos "representaram uma cena semelhante da ressurreição", mas a única referência deles é um comentário feito por Tertuliano, significativamente após a época do Novo Testamento! O assistente de pesquisas do site www.tektonics.com, Punkish acrescenta: A nota refere-se à Prescrição de Tertuliano Contra os Heréticos, no capítulo 40 que diz: "se a minha memória ainda me serve, Mithra lá, (no reino de Satanás), coloca sua marca nas testas de seus soldados; comemora também a oferta do pão e, apresenta uma imagem da ressurreição e, diante de uma espada adorna uma coroa"... pelo que seus argumentos baseiam-se na memória de Tertuliano e afinal, não são os iniciados mas Mithra quem realiza a celebração e apresenta a *Imagem* de uma ressurreição?! Como é que isso de alguma forma está relacionado com a cena representada pelos iniciados? Wynne-Tyson [Wyn.MFC, 24; cf. Ver.MSG, 38] também se refere à um historiador da igreja que viveu no quarto século, Firmicus, o qual afirma que os Mithraistas pranteavam sobre a imagem de um Mithras morto – isso é ainda mais recente, pessoal! - Mas após a leitura da obra de Firmicus, não achei nenhuma referência disso!) Acharya acrescenta a declaração de Dupuis de que Mithras foi morto por crucificação, mas a partir dessa descrição, ou Dupuis ou Acharya estão confundindo Mithra com Attis!


9. Ele era chamado de "o Bom Pastor" e identificado tanto com o Cordeiro quanto com o Leão.


Com relação ao que pude encontrar nas fontes de estudos Mithraicos, apenas o terceiro aspecto possui alguma verdade: O leão era considerado no Mithraísmo Romano como um animal "totem" de Mithra, assim como o animal de Atena era a coruja e o animal de Artêmis era o cervo [Biv . PM, 32]. Uma vez que Mithra era um deus-sol, havia também uma associação com o Leão, o qual na astrologia Babilônica era simbolizado como a Casa do Sol. Porém com exceção dessa evidência, todas as outras são pós-período Cristão, alguém pode perguntar qual a importância disso. Será que devíamos esperar que os cristãos ou os Mithraistas dissessem, "Droga, não podemos usar o leão, outros caras já tiveram a idéia?" Será que a Esso deve desistir de sua logomarca (um tigre) só por causa do Sucrilhos Kellog’s? Mas se você realmente quer ser mais técnico, Jesus possuía os direitos sobre o símbolo do leão como um membro da tribo de Judá muito antes que Mithras aparecesse na encarnação Iraniana (Gen. 49:9).


Existem também outras associações: Na mitologia Romana, um dos companheiros de Mithra na cena do sacrifício do touro é um leão, o leão por vezes é o companheiro de Mithra nas caçadas e nos banquetes; algumas vezes Mithra é associado à um leão com várias cabeças o qual frequentemente é identificado como Ahriman, o deus mal do Zoroastrismo [MS.277]; um dos sete estágios de iniciação no Mithraísmo é o estágio do leão. No entanto, Mithra é chamado de leão somente em um conto Mithraico (que faz parte do folclore armênio - onde foi que os escritores do Novo Testamento pegaram essa?) pois como uma criança ele matou um leão e o dividiu em dois. [MS.356, 442]


10. Ele foi considerado o "Caminho, a Verdade e a Luz", e o "Logos", "Redentor", "Salvador" e "Messias". Acharya agora acrescenta em seu mais recente trabalho os seguintes títulos: criador do mundo, Deus dos deuses, o mediador, poderoso governante, rei dos deuses, Senhor do céu e da terra, o Sol da Justiça.


Temos aqui vários títulos, e de fato, embora eu tenha pesquisado as obras de estudiosos Mithraicos, não achei quaisquer destes títulos sendo aplicados à Mithra, a não ser o papel de mediador (não porém, no sentido de um mediador entre Deus e o homem por causa do pecado, mas como um mediador entre os deuses do bem e do mal no Zoroastrismo; vemos a identificação com o "sol", mas nunca tal título) - nem mesmo os títulos mais recentes foram sequer enumerados pelos eruditos Mithraicos. Há uma referência à um "Logos", que era ensinado aos iniciados Mithraicos [MS.206] (nas evidências Romanas, o que mais uma vez, é consideravelmente após o estabelecimento do Cristianismo), lembrando que "logos" significa "Palavra" e remonta muito antes no Judaísmo ao filósofo judeu Philo de Alexandria - talvez os Cristãos tenham copiado a idéia de Philo, ou da estrutura genérica da palavra, mas não do Mithraísmo.


11. Domingo era seu dia sagrado, o "Dia do Senhor", centenas de anos antes do aparecimento de Cristo.

12. Mithras tinha sua principal festividade que mais tarde tornou-se a Páscoa.


Iremos examinar estas duas alegações juntas. O Mithra Iraniano tinha algumas celebrações especiais: um festival em 8 de outubro; um outro de 12 à 16 de setembro e, um festival de "união do gado" de 12 à 16 outubro [MS.59]. Mas, quanto a uma festa da Páscoa, constatei somente que havia uma festividade no equinócio da Primavera - e era uma de apenas quatro festividades, uma para cada estação do ano.

Em termos de domingo como um dia sagrado, isto está correto [Cum.MM, 190-1], mas é algo que só aparece no Mithraísmo Romano e, Acharya aqui está aparentemente supondo, igualmente a Cumont, que aquilo que era válido para o Mithraísmo Romano também era válido para a versão Iraniana - mas não existem provas para isso. Se aconteceu qualquer plágio (provavelmente não ocorreu nada), na verdade foi exatamente o contrário.


13. Sua religião tinha uma Eucaristia ou "Ceia do Senhor", em que Mithra disse: "Aquele que não comer do meu corpo e nem beber do meu sangue, a fim de ser um comigo e eu com ele, não será salvo."


Esta citação também é interessante de acordo com Freke e Gandy [Frek.JM, 49] e, tive que investigá-la um pouco mais para descobrir sua verdadeira origem. Godwin diz que a referência vem de um "texto Mithraico persa", mas não fornece a data deste texto, nem diz onde foi encontrada e nem oferece qualquer documentação, o que finalmente encontrei em Vermaseren [Verm.MSG, 103] - A fonte desta citação é um texto medieval e, quem diz isso não é Mithras, mas sim Zaratustra! Embora Vermaseren tenha sugerido que essa poderia ser a fórmula à que Justino Mártir se referiu (apesar de não ter sequer ilustrado isso), como sendo parte da "Eucaristia" Mithraica, não há nenhuma evidência anterior ao texto medieval para tal citação. (Freke e Gandy, e agora Acharya, tentam dar ao ritual alguma origem ancestral ao alegarem que ele é derivado de uma cerimônia Mithraica Iraniana que utiliza uma planta psicodélica chamada Haoma, mas eles estão ficando nitidamente desesperados e adicionando especulações acerca do significado, a fim de tornar este rito semelhante à Eucaristia.) Este pedaço de "evidência" é muito, mas muito recente para ser aproveitável – a não ser como uma possível comprovação de que o Mithraísmo se apropriou de elementos do Cristianismo! (o Cristianismo é claro, existia na Pérsia muito antes do que este texto medieval; para mais detalhes, leia o artigo de Martin Palmer intitulado Jesus Sutras.)


O mais próximo que o Mithraísmo teve de uma "Última Ceia", foi o repartir da matéria prima (pão, água, vinho e carne) pelos iniciados Mithraicos, que era talvez uma celebração do banquete que Mithra teve com o deus sol após o sacrificio do touro. No entanto, a ceia dos iniciados normalmente é vista como nada mais do que um banquete comum entre membros de uma fraternidade do tipo que era praticado por grupos em todo o mundo Romano - de grupos religiosos à sociedades fúnebres. [MS.348]


14. "Seu sacrifício anual é a páscoa dos Magos, uma expiação ou promessa simbólica de regeneração física e moral."


Esta é uma declaração bastante confusa, pois mistura uma aparente falácia (não encontrei nenhuma indicação de que o "sacrifício" de Mithra fosse um evento praticado anualmente, mais do que uma vez no passado); expressões da crença judaico-cristã ("Páscoa","expiação") são usadas para descrever um ritual do Mithraísmo, sem sequer demonstrar qualquer semelhança. Vejo isso como nada menos que um caso de aplicação ilícita da terminologia e, até que mais detalhes sejam fornecidos, podemos considerá-lo irrelevante.


15. Uma frase de Shmuel Golding é citada afirmando que as palavras de 1 Cor. 10:4 são "idênticas àquelas encontradas nas escrituras Mithraicas, exceto que o nome Mithra é utilizado, em vez de Cristo". No seu mais recente trabalho Acharya atribui este comentário também para Weigall.

Em resposta a isso, devo dizer que se Golding e Weigall possuem ou possuíram alguma escritura Mithraica, eles precisam entregá-las imediatamente para a comunidade acadêmica Mithraica, pois os eruditos também vão querer examinar estes textos. Ulansey [Ulan.OMM, 3] nos diz que "os ensinos dos cultos (Mithraicos), pelo que sabemos, nunca foram colocados no papel" e que "praticamente não foi deixada nenhuma evidência literária relacionada ao culto que pudesse (nos) ajudar a reconstruir suas doutrinas esotéricas". Então, de onde Golding e Weigall obtiveram essa informação? (Um leitor também notou que o apóstolo Paulo, nesse caso específico, fez uma alusão ao livro de Números no Antigo Testamento; portanto como é que isso se enquadra com uma origem Mithraica para este versículo?)


16. A Enciclopédia Católica é mencionada afirmando que os cultos Mithraicos eram realizados por “padres” e que o “líder dos padres, uma espécie de papa, que sempre viveu em Roma, era chamado de ‘Pai Patratus’ ".


Freke e Gandy adicionam suas próprias impressões: Assim como os cristãos, os iniciados Mithraicos também chamavam uns aos outros de "irmãos" [Frek.JM, 67]. Ambas as alegações são verdadeiras, porém muito simplórias, mas e daí? O uso de termos familiares dentro das sociedades religiosas é universal, o que não é nenhuma surpresa, pois os termos familiares são os mais utilizados para manifestar afeição ou compromisso. Na verdade, a "terminologia de parentêsco" era utilizada na antiguidade Greco-Romana para indivíduos da mesma religião ou raça, bem como para amigos, aliados e até mesmo futuros membros [Keener - Comentários sobre Mateus, 370n]. (Não encontrei nenhuma evidência de que o Pater Patratus "viveu sempre" em Roma, mas mesmo que fosse verdade, isto não seria de nenhuma relevância: como a principal cidade do Império, qual o lugar mais provável em que esta pessoa teria uma sede? Isso significa não mais do que todas as principais igrejas possuindo sedes em Nova York, ou todos os países estrangeiros tendo embaixadas em Washington. Além disso, nem mesmo precisamos defender um "plágio", quando o que está em risco é uma estrutura organizacional eclesiástica que veio a existir muitos anos após os tempos apostólicos.)


17. Aqui estão algumas anotações complementares de Punkish sobre os pontos do artigo Os Mistérios de Jesus:


Após ter cumprido sua missão na Terra, foi dito que Mithras ascendeu ao céu em uma carruagem do sol - e as notas de rodapé remetem às alegações de Cumont, p138. Cumont na verdade refere-se à Mithra como aquele que tomou conta do primeiro casal (uma espécie de Adão e Eva) e fornecia proteção divina para a humanidade durante um dilúvio semelhante ao de Noé! Isso não está relacionado com o propósito da vida de Jesus, embora a omissão desses detalhes implique tal conclusão, especialmente em uma discussão sobre a ressurreição.


Quanto à ascenção de Mithra ao céu, esta é uma leitura errada do texto. Na realidade são os deuses (por exemplo, Hélios) que com ele, após cuidarem dos humanos sobem ao céu, em seguida Mithras atravessa o oceano em sua carruagem. O Oceano tenta engoli-lo mas falha e, finalmente ele alcança a habitação dos imortais". O termo "ascensão" não é aplicado exclusivamente à Mithras.


As reivindicações de similaridades com a escatologia Cristã listadas por eles: Mithras é a mão direita da autoridade, o Deus da Luz, governante do mundo, à espera do Final dos Tempos, retornando à terra, ressucitando os mortos para o julgamento. A nota de rodapé n° 258 p271 diz: "Cumont coletou uma grande quantidade de doutrinas escatológicas Mithraicas idênticas ao Cristianismo". Esta é uma terrível interpretação errada de Cumont nas páginas 145-146... não consigo encontrar nada sobre um "governante do mundo", protetor da humanidade sim, mas não governante. Embora seja dito que Mithras desce novamente do céu juntamente com um touro e separa os bons dos perversos (no papel de "deus da verdade", e não do Deus da Luz - o mais próximo que encontramos é seu título de pai celestial que recebe os fiéis em uma mansão resplandecente!), e de fato, ele sacrifica o touro diante da humanidade congregada, os quais foram ressucitados dos mortos, entretanto essa doutrina é um complemento para o conceito da alma imortal - que soa mais como uma espécie de reencarnação, porém a ressurreição aqui serve apenas para o propósito da satisfação material. A gordura do touro e o vinho consagrado [não o seu sangue] são oferecidos aos justos a fim de que alcançem a imortalidade - mesmo assim é Ormazd quem executa a sentença - como por exemplo a aniquilação dos ímpios, juntamente com a destruição (não o castigo eterno), de Ahriman e seus demônios, rejuvenescendo o universo e assegurando um futuro feliz sem iniquidade. De que maneira essa descrição pode ser idêntica à escatologia Cristã como Freke e Gandy têm reivindicado?


Isso finaliza nossa lista e também nossa conclusão: Em nenhum exemplo Acharya apresentou sequer um caso convincente de que o cristianismo plagiou qualquer coisa do Mithraísmo. Ou as supostas evidências são muito recentes, não estando em conformidade com as conclusões do modernos eruditos Mithraicos, ou simplesmente elas não existem. Acharya irá precisar de um quantidade imensa de documentação muito mais sólida, antes que qualquer de suas reivindicações possa ser levada a sério.


Fontes


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1. Beck.PO -- Beck, Roger. Planetary Gods and Planetary Orders in the Mysteries of Mithras. London: Brill, 1988.

2. Biv.PM -- Bivar, A. D. The Personalities of Mithra in Archaeology and Literature. New York: Bibliotheca Persica Press, 1998.

3. Cum.MM -- Cumont, Franz. The Mysteries of Mithra. New York: Dover, 1950.

4. Frek.JM -- Freke, Timothy and Peter Gandy. The Jesus Mysteries: Was the "Original Jesus" a Pagan God? New York: Harmony Books, 1999.

5. Gor.IV -- Gordon, Richard. Image and Value in the Greco-Roman World. Aldershot: Variorum, 1996.

6. Lae.MO -- Laeuchli, Samuel. Mithraism in Ostia: Mystery Religions and Christianity in the Ancient Port of Rome. Northwestern U. Press, 1967.

7. MS -- Mithraic Studies: Proceedings of the First International Congress of Mithraic Studies. Manchester U. Press, 1975.

8. Spei.MO -- Spiedel, Michael. Mithras-Orion, Greek Hero and Roman Army God. Leiden: E. J. Brill, 1980.

9. Ulan.OMM -- Ulansey, David. The Origins of the Mithraic Mysteries: Cosmology and Salvation in the Ancient World. New York: Oxford U. Press, 1989.

10. Ver.MSG -- Vermaseren, M. J. Mithras the Secret God. New York: Barnes and Noble, 1963.

11. Wyn.MFC -- Wynne-Tyson, Esme. Mithras: The Fellow in the Cap. New York: Barnes and Noble, 1958


Traduzido e extraído livremente de: http://www.tektonics.org/copycat/mithra.html

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